Aquele grande galpão, antes de ser centro cultural, foi uma casa das máquinas e foi tombado (registrado) assim.
Após tombado, deu-se um destino para a construção: centro cultural, porque em nossa tradição brasileira um prédio que participou da história da cidade é destinado às atividades culturais.
E a cultura não é sempre a prioridade dos prefeitos. Não foi diferente em Araçatuba. E assim o centro cultural ficou como está, no chão.
Estou me propondo a elaborar um roteiro histórico desse abandono. ARAÇATUBA FERROVIA.
Araçatuba, como outras cidades do noroeste, surgiu de uma estação ferroviária.
Algumas estagnaram, outras conseguiram se desenvolver, outras desapareceram. Araçatuba foi a que mais cresceu.
A nossa lei municipal de política de conservação de memória e patrimônio histórico tem como centro a ferrovia. Daí a importância do Centro Cultural Ferroviário.
CASA DAS MÁQUINAS
A linha foi retirada do centro de Araçatuba, a prefeitura recebeu todos os antigos prédios da ferrovia.
Alguns foram tombados (declarados patrimônios históricos pela prefeitura e governo do estado), dando-lhes finalidades.
À oficina foi dada a função de centro cultural, foram feitas algumas reformas.
Em 2009, a convite do prefeito Cido Sério, assumi a condução da Secretaria Municipal de Cultura.
Lá foram feitos vários eventos culturais. De repente, rachaduras nas paredes. Engenheiros da prefeitura interditaram o local. E até hoje está assim.
O prédio é tombado -
RESTAURAR É ARTE.
Reforma busca mudar, modernizar ou renovar um espaço, permitindo alterações estruturais (como derrubar paredes) e funcionais, focando na criação de algo novo ou melhorado, sem compromisso com a originalidade, enquanto a Restauração visa preservar a identidade e autenticidade de um bem, consertando o desgaste e mantendo-o o mais próximo possível de seu estado original, utilizando técnicas e materiais específicos para bens históricos ou antigos, exigindo um especialista (IA).
INTERDITADO.
Retomemos a linha do tempo.
Espaço interditado pelos engenheiros. Prefeito Cido Sério, então do PT, e sua equipe, inclusive eu, acharam fácil obter recursos sendo o governo federal também do PT. Várias viagens a Brasília.
Neste ínterim, o prédio foi reconhecido como patrimônio pelo governo estadual.
Quando faltava apenas a assinatura da presidenta Dilma, aconteceu o impeachment dela.
Quem iria mesmo restaurar o Centro Cultural Ferroviário seria Dilador Borges, atualmente no PSD.
HAVAN.
Na última edição destas notas, expliquei que o ex-prefeito Cido Sério não conseguiu a verba federal diante do impeachment da presidenta Dilma.
O secretário municipal do Desenvolvimento, Antônio Carlos Faria, pôs o prefeito Cido em contato com o senhor Luciano Hang, dono da Havan, para que a empresa restaurasse o centro cultural usando a renúncia fiscal nos impostos estaduais.
O tempo foi curto, a restauração ia ser feita mesmo por Dilador Borges.
Continuaremos, há mais capítulos.
*Hélio Consolaro é professor, jornalista, escritor. Membro da Academia Araçatubense de Letras. Ex-secretáro da Cultura de Araçatuba-SP

