Não vou aqui chorar o leite derramado. Tenho que olhar para frente e procurar não cometer o mesmo erro. Assim encaro a vida.
Sempre quis ser professor, mas de História. Por falta de oportunidade, fiz Letras em Penápolis. Até que fiz grandes coisas, não posso reclamar. Deus esteve no controle remoto; eu sempre me levantei para ligar e desligar.
Fui professor por 35 anos, em escola pública e também privada. Numa sala de aula, a professora (ou professor) aprende a conhecer a humanidade.
Os tipos de pessoas são os mesmos, independentemente da classe social. Nunca falei mal do magistério; se o salário não estava bem, participava de movimentos reivindicativos. Tanto foi assim que meus dois filhos são professores.
A professora (ou professor) de escola pública sonha lecionar na escola privada, considerando que lá há melhores condições de ensinar. Engana-se. Só tive uma classe ideal no meu longo magistério, na Cooperativa de Ensino de Birigui: terceiro colegial, 18 alunos, que exigiam dos professores e da escola.
Alunos nota 10. A lousa pode ser até digital, mas o ser humano a ser trabalhado é o mesmo que vem lá das cavernas, portanto, sentimentos.
Há certas escolas particulares na qual a professora (ou professor) é tratada como pajem pelos pais e como empregada doméstica pelos alunos.
A única vantagem encontrada pelos pais de escola particular é que seus filhos têm como coleguinhas gente pertencente à mesma classe social. Mauricinhos e patricinhas. Aí o filho vai pensar que o mundo é todo assim; ao ser criado no gueto, condomínio e escola particular, não aprende a interagir com outras classes sociais.
Entrei no magistério no comecinho da década de 70, quando a professora (ou professor) de escola pública estava deixando de ganhar como juiz de direito, recebendo o mesmo salário do administrador da fazenda.
A categoria cresceu em número, faculdades por todos os lados, a gente ia ser professora (ou professor) porque o emprego era garantido. Magistério era a porta aberta para filhas e filhos dos trabalhadores.
Governo militar implantou a chamada democratização do ensino: uma necessidade. Categoria numerosa, salário baixo. Iniciaram as greves no governo Maluf. E assim foi.
Hoje, a professora (ou professor) do fundamental é o que menos ganha, embora tenha uma responsabilidade medonha porque é a encarregada do letramento da criança e do jovem, enquanto a professora (ou professora) de nível universitário ganha mais.
Atualmente, nem sei como anda a formação do professor, estou fora do magistério há 18 anos. Quase todos fazem cursos por EAD, acabaram-se as faculdades de filosofia particulares presenciais.
Não sei se o ensino a distância é pior ou melhor, há muito preconceito. T
udo que é feito com dedicação produz bons resultados. Por trabalhar com muita gente, a professora (ou o professor) se torna um líder, por isso o magistério está mais facilmente na militância política, seja de esquerda como de direita.
E vai bem na gestão pública. Em Araçatuba, tivemos o professor Sylvio José Venturolli, prefeito e deputado, e outros (ou outras) de igual importância. Parabéns, colegas, por nossa profissão em 15 de outubro, Dia da Professora, no feminino, pois as mulheres são maioria.
Nesta eleição, 2026, tive novamente a oportunidade de votar num professor para governador de São Paulo. Um cara que pensa no social. Não ganhou, a maioria preferiu um demagogo.
Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Membro das academias de letras de Araçatuba, Andradina, Penápolis e Itaperuna-RJ.

