O que escrever e quando morrer, são coisas surpreendentes. Até domingo, eu estava sem assunto; de repente, um tiro seco de arma de fogo cortou o silêncio da vizinhança. Por não ser repórter policial e por ser um bom covarde, fui dormir.
A vizinha Roseli Luiz, que estraçalha corpos no IML, deve ter pensado: amanhã tenho cadáver. No outro dia, segunda-feira, fui consultar o Edmilson, nosso gari particular do quarteirão, para saber o que houve a viva voz.
Notícia já tinha ouvido no RP10. O repórter Fabinho Ishizawa chega antes da morte. Ouvindo a história por um, por outro. Pensando no restaurante (bar), que constrói o point com tanto sacrifício e, de repente, acontece essa tragédia na porta de seu estabelecimento.
Pensando também no portador da arma de brincadeirinha, por que andar com aquilo e ter que enfrentar uma arma de verdade, como aconteceu no domingo?
O policial, pensando que ele ia matar os outros dois, baleou o falso atirador, matando-o. A arma era de brincadeirinha, mas, por causa dela, morreu.
E o policial, querendo cumprir seu papel nas horas vagas, complicou sua vida. O crime dele foi o açodamento; não gritou, não deu ordens, já foi atirando, querendo salvar a possível vítima.
Apesar de ter tirado uma vida, sua presteza precisa ser reconhecida. Todos os agentes da catástrofe correram para o local para prestar socorro, mas a morte inevitável aconteceu.
Quem não queria matar, por isso carregava uma arma de brincadeira, morreu! Os clientes do bar, ou da lanchonete ou do restaurante, estavam no local para conversar, sorrir, espairecer, encontrar amigos.
Mas de repente foi para casa dormir, sem conseguir pegar no sono. Na filmagem do filme policial, certa vez, aconteceu o contrário: passaram para o artista uma arma carregada. A tragédia deixou de ser ficção. O cenário da tragédia grega foi montado naquele lugar, numa faísca de tempo, pelo Senhor do Destino.
FURTO DE FIOS DE COBRE
O furto cresceu porque o receptador paga R$ 40,00 por kg de fios de cobre. Vamos prender o receptador? Vamos! Mas ele é o ferro-velho, o mesmo cara que compra materiais recicláveis. A faxineira aqui de casa, por exemplo, anda catando pedacinhos de fios para fazer um dinheirinho.
Os ladrões gostam de roubar fios de casas velhas cujos fios ficam expostos.
Nessas casas as torneiras são de cobre. Nas reformas dessas casas devemos pôr a rede elétrica em segurança. Igrejas, clubes, sedes de entidades são assaltadas com facilidade.
*Hélio Consolaro é professor, jornalista, escritor. Membro das academias de letras de Araçatuba, Andradina, Penápolis e Itaperuna (RJ)

